O IFMT Campus Juína realiza, entre esta quinta-feira (10) e sábado (12), a VIII edição do Pensando em Raça e Gênero e a Mostra das Culturas Afro-Indígenas Latino-Americanas: O Ritmo que nos Devora e Transforma. As atividades ocorrem nos períodos vespertino e noturno, no auditório e nas salas de aula do campus, e são abertas à comunidade acadêmica e ao público externo.
Nesta edição, o evento se inspira no Movimento Antropofágico, formulado por Oswald de Andrade no Manifesto Antropófago de 1928, e parte de uma pergunta que atravessa toda a programação: quais ritmos, narrativas e imagens nos comem, e o que devolvemos deles depois de mastigados? A resposta que a Mostra constrói é coletiva, feita em cena, em verso, em dança e em desenho, e, reúne debate acadêmico e expressão artística em torno das relações étnico-raciais e de gênero.
Eixos da Mostra
Os trabalhos apresentados pelos estudantes dos cursos técnicos integrados percorrem diferentes eixos temáticos. Entre eles, um passeio literário pelas escritas de mulheres, que traz em jogral vozes femininas historicamente deslocadas do centro do cânone; a literatura indígena de Daniel Munduruku e Kaká Werá, colocada em diálogo com o território de Juína em videodocumentário produzido pelos próprios alunos; a literatura marginal e a obra de Carolina Maria de Jesus, apresentadas em formato de desfile; e a poesia de Manoel de Barros, que ganha poema, cenário e performance teatral sob o mote “Juína, periferia do centro do mundo”.
No eixo dedicado ao webtoon e ao cordel, a antropofagia se torna literal. As turmas tomam o webtoon, formato de quadrinhos nascido na Coreia do Sul e consumido diariamente por milhões de jovens brasileiros, e o preenchem com personagens, paisagens e conflitos daqui, devolvendo-o abrasileirado em teatro e dança. Ao lado, o varal de cordéis recupera a mais popular das formas impressas brasileiras, também ela nascida de outra travessia e digerida pelo Nordeste. Lado a lado, cordel e webtoon mostram que a antropofagia não é um episódio encerrado em 1928, mas um processo em curso, do qual os estudantes são autores.
Os participantes recebem certificado conforme a carga horária de cada modalidade.
Mais do que uma mostra de trabalhos, o Pensando em Raça e Gênero é um exercício de reconhecimento: das culturas afro-indígenas que nos constituem, das desigualdades que ainda organizam nossas relações e da potência criadora de quem, tendo sido historicamente devorado, aprendeu a devorar de volta.








