Entre os dias 6 e 9 de abril de 2026, uma comitiva interinstitucional realizou uma missão histórica na Terra Indígena Enawenê Nawê, no noroeste de Mato Grosso. O objetivo central do encontro foi o sepultamento dos restos mortais (calota craniana) e dos pertences pessoais de Vicente Cañas, o “Kiwxi”, jesuíta espanhol que dedicou sua vida à defesa dos povos originários e cujo martírio completa quase quatro décadas.
A missão contou com a participação de representantes da Diocese de Juína, da Companhia de Jesus, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da Operação Amazônia Nativa (OPAN), além de familiares vindos da Espanha e lideranças indígenas. A a expedição teve a participação estratégica do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) – Campus Juína, reforçando o compromisso da instituição com a responsabilidade social e o diálogo intercultural.
Perspectiva Histórica: O Legado de Kiwxi
A trajetória de Vicente Cañas é um marco no indigenismo brasileiro. Nascido na Espanha, Cañas chegou ao Brasil na década de 1970 e, em 1974, integrou a primeira equipe de contato com os Enawenê Nawê. Sua atuação diferenciou-se pelo processo de inculturação radical: ele assumiu o modo de vida, a língua e os ritos do povo, tornando-se membro da comunidade sob o nome Kiwxi.
Em abril de 1987, Cañas foi assassinado em decorrência de sua luta pela demarcação do território ancestral do povo, que sofria pressões de grupos locais. Durante décadas, os procedimentos jurídicos e a custódia de evidências, (incluindo a calota craniana usada no processo judicial) mantiveram essa história em aberto. O sepultamento realizado agora simboliza a conclusão de um ciclo de busca por justiça e o reconhecimento definitivo de sua presença espiritual na terra que defendeu.
A Participação do IFMT na Missão
O Campus Juína esteve representado pelo professor e doutorando Josemir Paiva Rocha. A presença da instituição federal na missão destaca a importância da integração entre o saber acadêmico e as realidades locais da amazônia legal.
Para o IFMT, a participação em eventos dessa natureza reforça sua missão institucional de promover uma educação sensível às diversidades culturais e ambientais da região. Segundo o professor Josemir Paiva Rocha, a experiência permitiu compreender de forma concreta a profundidade da cultura Enawenê Nawê e a relevância da preservação de seus territórios. O docente destacou que a parceria entre o IFMT e as instituições missionárias e indigenistas fortalece o diálogo entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais, promovendo uma atuação mais comprometida com a vida e com a preservação histórica do estado.
O evento foi encerrado com ritos tradicionais indígenas e celebrações, unindo a tradição cristã e a cosmologia Enawenê Nawê. Do ponto de vista institucional, o desfecho desta jornada reafirma o valor dos Direitos Humanos e o compromisso das entidades envolvidas com a memória histórica de Mato Grosso e a salvaguarda da diversidade étnica na região noroeste de Mato Grosso.
Fonte Pe. Renan Dantas – Diocese de Juína Imagens Pe. Renan Dantas














